O maior impedimento de um portador de deficiência motora ao usar um computador talvez seja a grande necessidade de utilização da motricidade fina (uso das mãos e dos dedos) para manusear, por exemplo, o teclado convencional ou o rato, e da ampla (uso dos braços, pernas e tronco) para, por exemplo, controlar os movimentos dos braços, manter a cabeça ereta ou se firmar na cadeira.
A maioria dos ambientes voltados a usuários com problemas motores faz uso de teclados em tamanho ampliado, ecrãs sensíveis ao toque quando o usuário apresenta controlo razoável sendo que, quando a pessoa apresenta movimentos involuntários ou tremores, utilizam estes ecrãs com um atraso de input ajustável à dificuldade motora. Outros também utilizam um ecrã sensível ao sopro e próteses como pulsadores e apontadores em substituição ao rato ou teclado convencional que podem, ou não, ser utilizados em conjunto com um software que simula, no ecrã do computador, o funcionamento de um destes dispositivos de entrada.
Existe, por exemplo, um simulador de teclado para portadores de paralisia cerebral que simula, no ecrã do computador, uma representação do teclado convencional agregando um sistema de varredura contínua que ilumina cada um dos caracteres apresentados na ecrã. Este simulador pode ser utlizado por qualquer pessoa alfabetizada que consiga movimentar alguma parte do corpo sendo, para estes casos, utilizado junto com um dispositivo chamado acionador que pode ser um apontador (muitas vezes utilizado preso à cabeça da pessoa) ou a um pulsador (usado junto ao pescoço ou aos pés). Com este programa, a pessoa pode utilizar sistemas operacionais, editores de texto, bases de dados, linguagens de programação, etc.
O Eneri é um outro exemplo de um processador de texto que apresenta o teclado no ecrã do computador e, através de um sistema de varredura, o utilizador pode escrever o texto. Este programa também apresenta a opção de se adaptar ao ritmo do utilizador.
Outros programas simuladores de teclado e/ou rato podem ser vistos na tabela seguinte:
Nome | Principais Características |
SASE | Faz a varredura de softwares padrões, através da criação de máscaras e varreduras sobre o mesmo, também sob controlo de um acionador. |
Handikeys, StickeyKeys, Access-DOS, Filch,Help-U-Type | Permitem acesso/controle do teclado convencional. |
MouseKeys | Permitem acesso/controle do rato. |
Simulador de Teclado | Faz, no ecrã do computador, emulação do teclado, permitindo a conexão de um acionador para controlar a varredura das opções disponíveis. |
ERA - Emulador de Rato | Faz, no ecrã do computador, emulação do rato, permitindo a conexão de um acionador para controlar a varredura das opções disponíveis. |
KENIX | Faz a emulação do teclado e rato, permitindo a conexão com todo tipo de acionador, teclado de conceitos, etc., para o controle do sistema de varredura. Permite, também, a criação de novos emuladores, de acordo com o desejo do usuário. |
As Tecnologias de Informação e Comunicação (T.I.C.) e a pessoa portadora de deficiência motora severa: construção de um modelo de avaliação: A avaliação é sempre uma área exigente, controversa e particularmente difícil na população com perturbações severas da motricidade e da comunicação. Desta forma, é importante a existência de uma estratégia avaliativa que possa evidenciar em relação aos processos usuais, as seguintes vantagens:
- Seja um processo unificado e integrado;
- Utilize as T.I.C. para avaliar as interações do indivíduo;
- Seja multidisciplinar envolvendo aspetos posturais, funcionais, ergonômicos, educacionais, etc.
- Avaliar a pessoa nas suas potencialidades e disfunções, no sentido de se potencializar as capacidades e compensar as disfunções através de ajudas técnicas adequadas;
- Avaliar o indivíduo procurando determinar suas áreas fortes e fracas;
- Em relação a uma determinada tarefa relacionada com as TIC, determinar qual capacidade de sucesso ou de insucesso, em relação aos padrões de comportamento previamente definidos;
- Criar uma linha de base, referente ao nível de realização de indivíduo no momento da primeira avaliação, possibilitando um acompanhamento longitudinal;
- Criar uma interligação estreita entre a avaliação e a intervenção, sendo a reavaliação e a reformulação parte integrante do processo, contrariando a noção de uma avaliação estática, reduzida a um momento.
- Saber se o sujeito avaliado tem nível de maturidade mínima para poder utilizar os programas e equipamentos disponíveis;
- Quando as TIC poderão ser aconselhadas e que equipamentos - hardware e software-, estão de acordo com o nível de maturidade encontrada?
- Definir o tipo de prioridade de trabalho que poderá ser indicado à família e/ou técnicos que trabalham com a criança, para vir a usufruir do recurso às TIC.
Algumas pessoas, além de possuírem deficiência motora apresentam, também, danos na fala. Nestes casos, existem sistemas de comunicação alternativa e aumentativa que fazem uso, por exemplo, de sistemas gráficos de comunicação (PIC, SPC, Bliss), de processos de varredura no ecrã do computador, aliados, ou não, a alguma prótese.
Sistemas comunicadores em forma de tabuleiro são os mais utilizados e consistem em apresentar os símbolos (referentes a palavras, ações, objetos), dispostos em forma quadrangular, no ecrã do computador. O utilizador servindo-se de um sistema de varredura sequencial, escolhe a opção desejada e, desta forma, constrói as frases. Alguns destes sistemas permitem com a escolha das opções, a construção de frases.
O sistema FALAS - Ferramenta Alternativa de Aquisição Simbólica: É um destes sistemas comunicadores com a ressalva que, além de recursos de multimédia, também utiliza técnicas de inteligência artificial sendo possível, neste caso, o sistema ser adaptado automaticamente às preferências do utilizador no que diz respeito à disposição dos símbolos segundo a sua frequência de utilização, velocidade de varredura das opções na ecrã, ajuda na aprendizagem dos símbolos, etc., que são feitos com o auxílio do histórico pessoal que é gerado pelo sistema durante sua utilização.
Alguns sistemas computadorizados de comunicação para deficientes de fala são:
- Anagrama-Comp: Permite a composição, impressão e sonorização de quaisquer palavras e sentenças da língua portuguesa.
- Bliss-Comp: Utiliza o sistema gráfico de comunicação chamado Bliss reunindo os 1600 símbolos originais do sistema. O utilizador, através do rato ou dum ecrã sensível ao toque, pode comunicar através de um símbolo ou formar frases.
- ImagoVox: é um sistema que utiliza recursos de multimédia como voz digitalizada, filmes e fotos permitindo uma comunicação icônica-vocálica de pessoas com perda ou retardo no desenvolvimento da linguagem. É acedido através do rato ou ecrã sensível ao toque.
- PCS-Comp: este sistema, ao invés de utilizar sistema Bliss, faz uso do sistema PCS que é menos abstrato e mais representacional.
- PIC-Comp: este, por sua vez utiliza o sistema PIC e foi desenvolvido para autistas, deficientes mentais e paralíticos cerebrais não-falantes. É composto por 400 pictogramas arranjados em 25 categorias semânticas.
- NoteVox: permite a deficientes da fala com bom nível intelectual comporem parágrafos com até 720 caracteres a partir da seleção de palavras e/ou sílabas de uma base de dados, via toque de apenas um dedo ou digitação no teclado. Também utiliza voz digitalizada.
(Netografia: http://student.dei.uc.pt)






