segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Autismo carece de diagnóstico

 
Catarina, com o irmão, Tiago, e os pais,
Andreia e João

Perturbação: Doença sem cura. Remédios melhoram o comportamento

"O autismo afeta 67 milhões de pessoas em todo o Mundo. Em Portugal não há números oficiais, mas os dados indicam que há 100 mil crianças e jovens com perturbações do desenvolvimento, onde se inclui o autismo.
Os sinais da doença nem sempre são valorizados pelos pais, que atribuem a mimos ou surdez. O autismo é "uma perturbação neurobiológica complexa", designada, atualmente, de Perturbação do Espectro Autista (PEA). A partir de dados norte-americanos, a proporção de casos é de 1 em 80, explica o neuro pediatra Nuno Lobo Antunes.
A doença não tem cura e afeta mais o sexo masculino. "Não existem medicamentos que curem o autismo, embora sejam úteis devido à probabilidade de ansiedade. Utilizam-se técnicas comportamentais para tentar melhorar o comportamento das crianças. Quanto ao género predominante, há quem afirme que os rapazes têm até dez vezes mais do que as raparigas", refere.
As PEA começam antes dos três anos de idade e permanecem durante a vida da pessoa. "Um diagnóstico precoce permite uma intervenção rápida, com apoio de um psicólogo, terapeuta da fala e técnico psicomotricista. Há que interpretar os sinais de alerta para melhorar a sociabilização dos doentes", refere a presidente da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Lisboa, Maria Paula Figueiredo. Para as associações do autismo, o problema reside no número de crianças sem diagnóstico que são afastadas de qualquer resposta social.
 
"NASCE-SE AUTISTA", Nuno Lobo Antunes, Neuro pediatra
 
Correio da Manhã - Qual a perturbação do desenvolvimento que mais afeta as crianças portuguesas?
 
Nuno Lobo Antunes - O défice de atenção, mais associado à dislexia, lidera o topo das disfunções de desenvolvimento. Logo a seguir vem o autismo.
 
- A origem do autismo também está nas emoções?
- Não há ligação definida entre aspetos emocionais na gravidez e o aparecimento do autismo. Nasce-se autista, resulta de uma disfunção cerebral.
 
- Ter já um filho autista aumenta a probabilidade?
- Têm um maior risco, cerca de 3%, incidência semelhante à que se verifica nos gémeos falsos.
 
O MEU CASO: CATARINA ABREU
"A CATARINA SÓ COMEÇOU A FALAR AOS 5 ANOS"
Catarina Abreu, de oito anos, teve a confirmação de que era portadora de autismo quando tinha dois anos. Antes disso, com 18 meses, a sua educadora já identificara os sinais de alerta.
A menina vive em Torres Vedras, onde frequenta o ensino regular e tem apoio estruturado. Adora brincar sozinha e os legos são a sua brincadeira preferida. "A Catarina só começou a falar aos cinco anos. Ela fala mas não conversa connosco. Isola-se e não aprende porque se distrai muito", conta a mãe, Andreia Abreu.
A primeira dificuldade começa logo pela manhã. A Catarina ainda não tem autonomia para tomar banho, lavar os dentes ou vestir-se sozinha. "Espero pelo dia em que a minha filha será independente. Tive receio quando estava grávida do meu segundo filho [Tiago, de cinco anos], de que ele também viesse com autismo", refere a mãe. Por outro lado, o gasto em terapias é elevado. "São 250 euros para a neuro terapia e a equitação terapêutica. O resto, ela tem na escola". O futuro é, por isso, uma preocupação para os pais da Catarina. "Tenho medo que ela não arranje emprego. Um autista adulto não se insere em lado nenhum. Deviam criar programas de empregos para eles"."
(Por Débora Carvalho, in CM online, 2012/07/22)

Dispara consumo de psicoestimulantes em crianças


"Ricardo era um miúdo irrequieto que, aos cinco anos, dificilmente conseguia concentrar-se ou cumprir uma tarefa até ao fim. Mais complicado ainda, conta o pai, era conseguir «que obedecesse a qualquer ordem dos adultos».
Até que, desesperados, os pais decidiram consultar um psiquiatra. Diagnóstico: hiperatividade e défice de atenção. Tratamento: algumas gotas, várias vezes ao dia, de um fármaco chamado Ritalina – o mais famoso dos três psicoestimulantes comercializados em Portugal e cujo consumo em crianças disparou nos últimos anos.
Segundo dados da consultora IMS Health avançados ao SOL, nos primeiros nove meses deste ano, foram comercializadas nas farmácias quase 164 mil embalagens destes medicamentos, mais 21 mil do que no mesmo período do ano passado. E o aumento tem sido constante nos últimos anos. Em 2011, foram vendidas 203.523 embalagens, quase o dobro das transacionadas quatro anos antes.
Os números estão a preocupar a comunidade médica, que alerta para os perigos do excesso de diagnósticos, e dividem os pais, com alguns a temerem os efeitos de um medicamento que interfere no sistema nervoso central dos filhos durante o crescimento, e que causa, entre outros efeitos secundários, a perda de apetite e a dificuldade em adormecer. Aliás, muitos decidem mesmo não seguir as recomendações médicas.
Foi o caso dos pais de Ricardo que, há um ano, optaram por experimentar outras terapias. «Com a Ritalina, ele começou a ter tiques. Mexia constantemente no nariz, e balançava-se em onda, lembra António, o pai, explicando que a falta de apetite tinha-se tornado outro obstáculo. Além disso, acrescenta, «a personalidade dele também mudou, tornou-se mais apático».
Até agora, a experiência de lidar com um filho «mais difícil» que as duas irmãs mais velhas, sem medicação, «está a correr bem»: «No quinto ano, o Ricardo teve alguns cincos e vários quatros, conseguiu ter notas medianas». Quanto ao comportamento, ainda está longe de ser perfeito: «Continua a ter dificuldade em lidar com ordens e tivemos de estabelecer regras muito definidas, ajudá-lo a treinar o traço, a lidar com a frustração. Tem de ser um dia de cada vez».
Cem mil hiperativosRicardo, hoje com 11 anos, é uma das 100 mil crianças portuguesas em idade escolar diagnosticadas com hiperatividade e défice de atenção (o número de rapazes sinalizados é quatro vezes superior ao das raparigas), segundo dados da Associação Portuguesa da Criança Hiperativa.
Grande parte estará medicada com o metilfenidato, o princípio ativo do medicamento indicado nestas situações e que, em Portugal, é comercializado sob os nomes de Ritalina, de Conserta e de Rubinefe. «Apenas metade destas crianças sofre do distúrbio. Diria 50 mil, no máximo», avisa a presidente e fundadora da associação, Linda Serrão.
Mãe de três crianças hiperativas– e que cresceram a tomar os três fármacos que atuam de formas diferentes no organismo (ver entrevista ao lado) –, Linda Serrão conhece bem os métodos de tratamento disponíveis em Portugal e a evolução dos números nos últimos anos. E é perentória: «Há demasiadas más avaliações. Muitas crianças têm outros problemas, como a dislexia, por exemplo, e são diagnosticadas com hiperatividade, e muitas outras são hiperativas e nunca chegam a ser diagnosticadas. Isto é muito preocupante».
A dificuldade na avaliação da doença é, aliás, um dos problemas apontados pelos especialistas que falam numa «epidemia de hiperatividade»: «Passa-se o mesmo do que com as depressões. Se as pessoas estão tristes, a tendência é para apontar logo para uma depressão», avisa Fernando Santos, diretor do serviço de pedopsiquiatria do Hospital da Luz, em Lisboa.
A questão, explica o médico, é que «não há nenhum exame que determine se a criança é hiperativa ou se tem outro problema».
Daí que seja «fundamental excluir outros distúrbios com sintomas semelhantes, como é o caso da depressão ou de traumas por que a criança passe, como um divórcio, que também provocam agitação, por exemplo», acrescenta o especialista.
A cautela no diagnóstico é sublinhada pelos vários especialistas. Mónica Pinto, pediatra do neuro desenvolvimento do Centro Diferenças, especializado neste tipo de distúrbios, defende que «deve haver um grande cuidado na avaliação», especialmente nas «crianças em idade pré-escolar [altura em que se faz a maior parte dos diagnósticos], uma vez que há crianças agitadas que aos 6-7 anos normalizam e não precisam de medicação».
Para a médica, o aumento dos casos diagnosticados tem uma justificação: «Houve um período em que a hiperatividade foi a ‘doença da moda’». Por isso, avisa: «Devem primeiro esgotar-se outras formas de intervenção».
Consumo controversoO facto de o consumo destes medicamentos ser controverso tem criado conflitos nas próprias famílias. Nuno, pai divorciado de um rapaz de 12 anos, tem dificuldades em lidar com a decisão da mãe de dar Ritalina ao filho, apesar da sua oposição. «Há três anos, achou que ele andava muito nervoso, agitado, que tirava más notas», , conta, considerando ser fácil perceber o motivo da agitação: «Foi pouco depois de nos separarmos!».
Mas a pedopsiquiatra concordou com mãe e diagnosticou ao menor hiperatividade e défice de atenção numa fase ligeira. Desde então, Tomás faz tratamentos diários com as famosas gotas. Mesmo no tempo em que está com o pai, o tratamento não é interrompido.
Nuno vive cheio de dúvidas e medo dos efeitos da Ritalina a longo prazo. «Ele fica demasiado parado, não parece o mesmo», lamenta. E, acrescenta, «custa-me estar a dar-lhe estas coisas tão novo, que interferem no sistema nervoso».
Os médicos, porém, garantem que estes psicoestimulantes não deixam sequelas no crescimento. Mas admitem outros efeitos. «Há a possibilidade de comprometer em um ou dois centímetros a estatura final em alguns casos», diz a pediatra Mónica Pinto."
Sónia Balasteiro
(in sol online - 2012/10/21)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Avaliação diagnóstica

O ano letivo começou e algumas questões voltam a surgir:
- “Quais as competências dos meus alunos?”
- “Quais as suas necessidades?”
- “De que modo poderão apreender melhor as competências necessárias?”
- “Quais são as áreas fortes e as áreas fracas de cada um deles?”
Estas e outras perguntas necessitam de uma resposta o mais precisa possível. Só dessa forma a nossa intervenção docente será a mais correta, e mais adequada, a cada um dos alunos.
Não importa qual o nível de ensino… a Avaliação Diagnóstica presta-se ao mesmo objetivo: diagnosticar, verificar e  identificar os pontos fracos e fortes do aluno em determinada área de conhecimento.
Uma avaliação diagnóstica ou inicial faz um prognóstico sobre as capacidades de um determinado aluno em relação a um novo conteúdo a ser abordado. Trata-se de identificar algumas características de um aluno objetivando escolher algumas sequências de trabalho mais bem adaptadas a tais características. Tenta-se identificar um perfil dos sujeitos antes de iniciar qualquer trabalho de ensino, sem o que, com certeza, estaria comprometido todo o trabalho futuro do professor. O diagnóstico é o momento de situar aptidões iniciais, necessidades, interesses de um indivíduo, de verificar pré-requisitos. É, antes de tudo, momento de detetar dificuldades dos alunos para que o professor possa melhor conceber estratégias de ação para solucioná-las.
 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Alunos com Multideficiência

"Uma nova convenção internacional global e integral para a protecção e a promoção
dos direitos e da dignidade das pessoas incapacitadas fez as escolas
movimentarem-se no sentido de responder às necessidades da sua população
escolar. O princípio da educação inclusiva foi adoptado na Conferência Mundial
sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade. Alcançar até 2015 o
objectivo da educação básica para todas as pessoas com incapacidade é o desafio
que a UNESCO se propõe vencer..." - Maria Leonor Ramos Rodrigues: Direção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.
A dgidc publicou um documento denominado "Aprender Todos Juntos: Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência".
A autora refere a experiência de uma Escola, do distrito de Castelo Branco, que desenvolve essa prática educativa: "Aprender Juntos". Apresenta e descreve os aspetos funcionais e organizacionais da Unidade; assim como as intervenções educativas aí desenvolvidas.
É de fácil leitura e útil para enriquecer as nossas práticas docentes... Recomenda-se!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Educação Inclusiva e práticas de sala de aula

A Educação Inclusiva, com base no princípio da Inclusão, visa proporcionar a igualdade de oportunidades e de participação, no ensino e na aprendizagem, de toda e qualquer pessoa, independentemente das diferenças sócio-individuais que as caracterizam (UNESCO, 1994).
O conceito “práticas pedagógicas inclusivas” tem como base o conjunto de práticas que os professores podem desenvolver e que são consideradas como favoráveis à implementação da Educação Inclusiva e, consequentemente, à Inclusão de alunos com deficiência numa sala de aula do ensino regular.
É necessário repensar a prática pedagógica na sala de aula...
Para colaborar com todos aqueles que procuram ideias, e sugestões, para melhorar a sua intervenção pedagógica, junto dos seus alunos: Educação Inclusiva e práticas de sala de aula - para educadores e professores!